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Bate Papo com o JL

Conheça mais sobre o artista aqui no "Bate Papo Com", por João Luiz Azevedo.

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Fotos: Divulgação

 

     Conheci a música do Moyseis Marques nas noites dançantes no bar Carioca da Gema, na Lapa. Logo em seguida, estive com ele nos estúdios do extinto Programa Atitude.Com da TVE, quando ainda dividia seu tempo entre o Samba e um grupo de Forró. Isso foi no início dos anos 2000. De lá para cá ele cresceu musicalmente. Lançou Cds, se apresentou em vários outros locais, na Lapa ou não, fez teatro, aliás, não só fez teatro, como foi protagonista de um dos maiores musicais de todos os tempos, “A Opera do Malandro” de Chico Buarque, dirigido pelo João Falcão.  
     Certamente você já ouviu falar no Moyseis Marques.
     Não deixem de ler esta que, certamente, foi uma das minhas melhores entrevistas.

 

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     Com vocês, Moyseis Marques ou, para os íntimos, Dom Marques!!!  

João Luiz Azevedo: Quem é o Moyseis Marques?
Moyseis Marques: Um cantor e compositor brasileiro.

JLA: Onde nasceu, cresceu, idade, influencias? Conta pra gente!
MM: Nasci em Juiz de Fora, 12.03.1979, Minas Gerais. Vim para o Rio com 20 dias de nascido. Cresci na Vila da Penha, subúrbio do Rio, ouvindo a miscelânea musical que tocava na rádio e TV. Naquela época, anos 80, muito Rock Brasileiro, Pagode, Funk, Charme, Lambada, samba enredo e musica de festa junina.

JLA: Como surgiu a música na sua vida?
MM: Sempre fui um sujeito musical. Ainda muito jovem era do pelotão da bandeira, tocava tarol, lira. Depois, aprendi um pouco de flauta doce. Toquei bateria na igreja e, aos 13 anos, ganhei meu primeiro violão, instrumento que escolhi pra mim.

JLA: Já teve outra profissão?
MM: Demorei pra perceber que podia ser músico, que dava pra viver de música. Fui operador de xerox, trabalhei no MC Donald1s, trabalhei em barraca de praia e fui animador de festas infantis.

JLA: Você estudou até que ano? Fez faculdade?
MM: Estudei nos colégios municipais na Vila da Penha. Meu segundo grau foi cursado na ETFQ (Escola Técnica Federal de Química) e, mais tarde, quando decidi ser musico, estudei Licenciatura em Música, na UniRio.

JLA: Estudou música?
MM: Comecei tocando violão de revistinha, como a maioria das pessoas. Infelizmente não me formei na universidade, saí no sexto período, pois aquela altura, a noite carioca já me dava emprego e experiência e estava difícil conciliar as duas coisas. Até hoje estudo música com professores particulares, como Bilinho Teixeira, Leandro Braga e Felipe Abreu. Desde que decidi que a musica era meu caminho, nunca mais parei de estudar.

JLA: Lê partituras? Toca de ouvido? Qual é a sua formação musical?
MM: Sim senhor, leio e escrevo música e também faço arranjos e componho.

JLA: Você começou cantando forró, em especial Jackson do Pandeiro. Quando e o que te fez cantar samba da Lapa?
MM: Comecei tocando em bares e churrascarias na Tijuca, repertório de MPB, em 1998. Em 1999, freqüentava os forrós e fui convidado para integrar o “Forró na Contramão“, minha primeira banda profissional. Em 2001, fui morar na Lapa, na Rua do Rezende e comecei a freqüentar os antiquários e bares do bairro que tocavam samba e choro, em especial o bar Semente. Montamos o Casuarina e assim começou minha história de “sambista da Lapa“.

JLA: Você gosta quando te definem como “sambista da Lapa”?
MM: Não tenho nada contra, desde que o rótulo não seja limitador ou pejorativo. As pessoas precisam te definir á primeira vista, a título de referência. Absolutamente normal.

JLA: Forró ou Samba?
MM: Música.

JLA: Ano passado você criou uma polêmica, na sua página do Facebook, acusando a rÁdio MPB Fm de não convocar os artistas, genuinamente da Lapa, para um show comemorativo na Fundição Progresso, a gravação do Samba Social Clube, tendo convidado somente os medalhões do samba... Na época, nem todos os artistas que você citou em sua postagem vieram a público te (se) defender. Como você viu isso?
MM: Essa história é bem chata, mas vamos lá: Tenho notado que de um tempo pra cá, a medida que fomos avançando em nossas carreiras, mais reconhecidos, criou-se um distanciamento do sambista da Lapa, como se fosse anti-popular, elitista ou coisa parecida. Enfatizou-se um samba que, antropofagicamente, assimila outras culturas, outras linguagens - uma geração especial, desprovida de preconceito, com uma linha de canto estudada e bem acabada. Isso incomoda um pouco os mais radicais, os “talibambas”. A gente não é convidado pra muita coisa no que diz respeito a rádio e TV. O título “sambista da Lapa “ não foi a gente que escolheu, colocaram a gente nesse lugar. Fomos condenados a viver na Lapa, trabalhar na Lapa e fazer nossas carreiras lá e em outros estados que nos acompanham pela internet e nos convidam. Já nos conformamos com esse lugar.  E aí, de repente, surge um grande festival de samba intitulado “O maior encontro de samba de todos os tempos“ na... LAPA! E eu, como não vi nenhum sambista da Lapa na escalação, já aborrecido com as dificuldades, me manifestei. Achei incoerente. Era o único lugar que a gente poderia estar. Era como homenagear a Portela, dentro da Portela, e não convidar o Monarco, por exemplo. Foi apenas isso.

JLA: Sofreste algum tipo de represália ou discriminação da radio, já que a MPB Fm é a principal divulgadora da boa música brasileira, justamente a que você faz?
MM: A rádio que não me tocava muito, continuou não me tocando muito. Mas já tá tudo resolvido, ou seja, continua tudo a mesma bosta. Hahaha, não dá pra contar com rádio nenhuma pra nada. Uma vez ou outra, toco na MPB Fm e tem a Roquette Pinto, a Radio Mec, a Radio Globo, a Nacional, que no meio de sua programação dá uma atençãozinha pra nós. Enquanto não vier um empresário ou uma gravadora que bote uma grana boa em divulgação, não vou tocar na rádio direito. E meu tipo de trabalho, que não é nada imediatista, não agrada muito a esses empresários, ou seja, essa pessoa não vai surgir nunca, rs. Hoje em dia, temos as rádios on line e os sites de streaming, um paliativo.

JLA: Teve medo de não ser bem interpretado pelo pessoal do mundo do samba?
MM: Ouvi de uma sambista amiga: “Toda vez que você se expõe, o problema é só seu“.  Tive que dormir com essa. Recebi congratulações em Off, placa da Ordem dos músicos, telefonemas de jornalistas, mas NINGUÉM, repito, ninguém se manifestou publicamente. Normal, as pessoas tem medo de perder as oportunidades, que já são poucas. Não as condeno por isso. Eu, como sempre criei as minha próprias oportunidades, tenho mania de falar as coisas que eu acho erradas, faz parte da minha personalidade. Eu e minha boca grande. Hehehe. Pago caro por isso, mas durmo tranquilo. Podem até discordar de mim, mas ninguém nunca vai poder dizer que eu não falo as coisas que eu acho.  

JLA: O samba já esteve em melhor lugar ou concorda com o Paulinho da Viola quando ele diz que “há muito tempo eu escuto esse papo furado, dizendo que o samba acabou, só se foi quando o dia clareou”?
MM: Só se foi quando o dia clareou. O samba tá aí, se difundindo, entra moda e sai moda e o samba tá aí. Gente que nunca gravou samba tá gravando, se arriscando, procurando sua identidade brasileira. Ninguém precisa se preocupar em salvar o samba. O samba se salva sozinho.

JLA: Como surgiu o convite pra interpretar o personagem principal do musical “A Ópera do Malandro” do Chico Buarque de Holanda?
MM: Surgiu através do diretor João Falcão e da Andrea Alves, produtora da Sarau, que hoje em dia também administra minha carreira. Eles me convidaram pra fazer o teste. Ele me conhecia da internet e achava que eu tinha a ver com o papel principal. Só fui saber disso mais adiante, quando já estava dentro do processo. Fiz o teste como todo mundo e depois fiquei sabendo que, desde o início, já estaria dentro.

JLA: Você já havia assistido alguma montagem da “Ópera...” no Teatro ou Cinema?
MM: Nunca.

JLA: Você já conhecia o trabalho do diretor João Falcão até aquele momento?
MM: Só de nome. Sabia que era genial e com fama de rei Midas e que tinha revelado talentos como Wagner Moura e Lázaro Ramos.

JLA: Qual foi a sensação de estrear nos palcos (como ator) no Theatro Municipal do RJ?
MM: Indescritível e simbólica. Um musical de Chico Buarque, obra prima, falando da Lapa, do samba, contexto que estou tão familiarizado… um sonho realizado.

JLA: O fato de contracenar com seu colega de Lapa, Alfredo Del Penho, facilitou a familiarização na Cia?
MM: Muito. Alfredo já vinha de alguns musicais e nós interpretamos dois amigos, Max e Chaves, tocando, cantando e dançando. Como começamos na vida real, já que minha história artística se confunde com a dele. Mais uma pro nosso currículo.

JLA: Aliás, que bela dupla vocês formam cantando lindamente aquela canção... Qual era a canção, mesmo? Comente por favor.
MM: “Doze Anos“ é o nome da canção. Uma insistência do João (Falcão, o diretor do espetáculo), que a gente cantasse, dançasse e tocasse ao mesmo tempo. Um número minucioso, que vai sendo aperfeiçoado diariamente até hoje, até a gente ficar satisfeito. Como nunca estamos satisfeitos, continua uma obra in progress. hehe...

JLA: Em algum momento, antes do convite da produção, você havia “sonhado” em ser ator?
MM: Já tinha flertado com o teatro na adolescência, mas nunca desse tamanho. Também já estava batendo na trave com os musicais há um certo tempo, mas acabava declinando o convite por causa da agenda. De uma certa forma, curou uma “feridinha” aberta. Em algum momento da minha adolescência, achei que tinha talento para interpretar, mas a musica veio avassaladora em minha vida e deixei o teatro de lado. Agora o teatro veio me buscar novamente.

JLA: Pensa em repetir a dose atuando em outro(s) espetáculos teatrais?
MM: Não penso, mas já desisti de me planejar. As vezes você não escolhe as coisas, as coisas escolhem você. Ainda tenho um longo caminho a trilhar na musica e ainda sou pai, marido e cidadão. Não dá pra fazer tudo. (risos).

JLA: Em que você se identifica com o seu personagem “Max Overseas”?
MM: Com seu carisma, sua leveza, sua elegância e sua vontade de viver. Só isso.

JLA: Por onde já se apresentou com a “Ópera...”?
MM: Rio de Janeiro, Petrópolis, Belo Horizonte, São Paulo, Aracaju, Vitória (ES), Salvador, Recife e Porto Alegre.

JLA: Sua carreira pode ser dividida entre antes e depois da Opera do Malandro?
MM: Sim. O teatro me revelou para um outro público e também levou um pouco do meu púbico que não frequentava teatro para o teatro. Sem contar no “know how” de palco, na parte física, técnicas e concentração. Depois do teatro, o show fica muito mais fácil. Conheci Chico Buarque, cantei com ele, gravei no seu filme.

JLA: Fale um pouco sobre seus CD's. São 4 até o momento, é isso mesmo?
MM: Sim, “Moyseis Marques“ (2007) , “Fases do Coração“ (2009), “Pra Desengomar” (2012) , “Casual Solo” (2013) e agora vem aí o “ Made in Brasil “.

JLA: Fale sobre seu projeto “Made in Brasil” que estreou no bar Semente.
MM: É um piloto de um DVD. Fizemos um EP com 6 músicas pra complementar, mas é, basicamente, um apanhado da minha carreira até agora, enfatizando o trabalho autoral.

JLA: Onde já foi apresentado, além do Teatro Rival?
MM: Centro de Referência da Música Carioca, Teatro de Marionetes, Beco das Garrafas, Bar Semente, Solar de Botafogo, Teatro Rival e agora o Theatro Net. À medida que o projeto cresce, o teatro também aumenta. hehe.

JLA: Fale sobre seu projeto com a Banda Joia Rara no Samba Luzia. Quando serão as próximas apresentações?
MM: É a minha paixão pela roda de samba que nunca acaba. Se o samba perder a conotação de festa, perde um pouco da essência. É um lugar pra eu receber convidados, experimentar coisas, cantar o que me der na telha. E tenho uma relação especial com o Samba Luzia. O próximo convidado será Luiz Melodia.  

JLA: Qual ou quais as diferenças entre os 2 shows que a gente acabou de falar e suas apresentações no bar Carioca da Gema?
MM: O teatro é show, o Samba Luzia é roda de samba. No Carioca da Gema é uma roda de samba num pequeno palco, ou seja, um pouco dos dois.

JLA: Sua página no facebook é super prestigiada e seus posts/desabafos são sempre muito comentados. Como você lida com as mídias sociais?
MM: É o que me resta. Não apareço na TV, não toco na rádio, nem apareço muito nos jornais. E mesmo que aparecesse, a mídia social representa uma grande fatia da divulgação de um artista. Tudo que eu tenho é minha música, meu talento, minhas opiniões e meu Facebook. É um espaço virtual democrático que não dá pra ignorar.

JLA: Como você lida com os fãs?
MM: Com todo o amor e carinho que existe em mim. Muitos deles se tornam meus amigos pessoais.

JLA:  Os compositores já te procuram oferecendo canções?
MM: Há muito tempo, mas como tenho ficado cada vez mais compositor, sempre que me oferecem uma música, ofereço uma parceria.

JLA:  Por que Dom Marques?
MM:  Só pra diferenciar o Facebook pessoal do profissional. “Dom“ é tipo “Parceiro“ em carioquês.

JLA:   O melhor lugar pra cantar é...
MM: Qualquer lugar que tenha gente de boa vontade disposta a te ouvir.

JLA: O pior lugar pra cantar é...
MM: Qualquer lugar que não tenha gente de boa vontade pra te ouvir.

JLA: O melhor lugar pra se divertir é o...
MM: É o mundo!

JLA: O pior lugar pra se divertir é o...
MM: Lugares excludentes, que só servem pra esse ou aquele tipo de pessoa.

JLA: Qual a musica que você gostaria de ter composta, e porquê?
MM: Gosto da música “É …“ do Gonzaguinha. É bem construída harmonicamente, melodicamente, liricamente, é sofisticada e ao mesmo tempo extremamente popular. É um clássico.

JLA: Um (a) grande compositor (a)?
MM: Luiz Carlos da Vila.

JLA: Um (a) grande cantor (a)?
MM: Emilio Santiago.

JLA: Uma pessoa que gostaria de ter convivido mais?
MM: Dominguinhos.

JLA: Uma pessoa que gostaria de ter conhecido, mas já se foi?
MM: Tom Jobim.

JLA: Com quem gostaria de gravar uma canção?
MM: Maria Bethânia.

JLA: Com quem gostaria de compor uma canção?
MM: Chico Buarque.

JLA: Um orgulho?
MM: Ter chegado onde cheguei sem nenhum tipo de atalho ou facilitador.

JLA: Uma decepção?  
MM: Não ter começado mais cedo minha trajetória musical. Demorei a me tocar que poderia ser músico, agora tenho que correr atrás do prejuízo.

JLA: Parafraseando a música do Martinho da Vila, ”Filosofia da Vida”, qual o supérfluo que não pode faltar pra você?
MM: Uma boa erva que me alivie a ansiedade e faça a manutenção do meu invólucro de paz.

JLA: Moyseis Marques por Dom Marques (ou o inverso)?
MM: Um brasileiro que ainda acredita no Brasil.

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