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Nancy Cobo

O ator, multi-artista, deslanchou em uma aula sua carreira respondendo as perguntas de Nancy Cobo. Curtam a entrevista.

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Divulgação

 

 

A arte mexe e toca o sensível de cada indivíduo e esse sensível pode ser levado para toda a vida. Se conseguirmos pessoas mais sensíveis, conseguiremos sociedades mais sensíveis, harmônicas e acolhedoras.Marco Miranda

 

emarcopornancy4Foto oficial para a peça 'Espia Uma Mulher Que Se Mata', 2010
(Divulgação)

 

Nossa entrevista da semana é com o Escritor, Ator e Diretor Teatral e Agora Cinematográfico Marco Miranda do qual me orgulho ter entrevistado e poder conhecer um pouco mais de sua vida artística. Peças que recebem sua assinatura atualmente na direção são "Em Nome do Filho" e "4 na Kitchenette", ambas em cartaz no Teatro Princesa Isabel, em Copacabana. Marco também dirige o longa "Rio e Seus Mistérios".

Nancy Cobo: Fale um pouco sobre a sua formação profissional, você se formou em que?
Marco Miranda: Desde criança quando eu assistia algum espetáculo, ficava fascinado. Eu tinha a certeza que queria fazer aquilo. Minha formação acadêmica sempre foi voltada para a Arte. Fiz o Bacharelado em teatro e o curso de Direção Teatral na Escola de Teatro Martins Pena, no Rio de Janeiro. Posteriormente fui para a UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde consegui minha Licenciatura em Artes Cênicas. Mais tarde, e ainda buscando complementar minha formação, fiz uma Pós-Graduação na UNICARIOCA - Universidade Carioca. Além dos citados, e ao longo da vida, fiz diversos cursos de curta duração, que poderiam ampliar minhas possibilidades de atuação, além de alguns cursos de Literatura, já que também sou escritor com alguns livros publicados. Atualmente, como estou escrevendo um livro sobre a imigração polonesa para o Brasil, senti a necessidade de compreender um pouco mais a história da Polônia. Estou fazendo o curso de língua polonesa. Ainda nos dias de hoje faço cursos em áreas diversas que despertem meu interesse. Acho que não vou parar nunca.

NC: Como e quando se tornou Ator?
MM: Desde criança eu já gostava de atuar. Creio que foi um caminho natural. O apoio familiar é fundamental em todo o processo de crescimento dos jovens, em todas as áreas e em todos os momentos. Felizmente eu contei com esse apoio, inclusive financeiro. Hoje, olhando para trás, percebo com clareza que, se não fosse assim eu jamais teria conseguido nada. Entrei para a Escola de Teatro Martins Pena e, quase imediatamente, passei a atuar em peças, tanto na Escola quanto profissionalmente.

 

emarcopornancy2Em cena com a Diva Bibi Ferreira em "Piaf - A vida de uma estrela da canção", 1986
(Arquivo Pessoal)

 

NC: O que significa Atuar para você?
MM: Atuar me remete a dois níveis de sentidos e significados. O primeiro a nível sensorial, inteiramente meu, único e absolutamente intenso. Quando movimento meus sentimentos, sentidos, emoções e abro as comportas dos pensamentos e sensações, tudo é possível. Em tais momentos consigo me perceber em ebulição, envolvido por emoções e sensações que são somente minhas e, paradoxalmente, não são, pois pertencem ao personagem. Quando compreendo essas ações e os caminhos trilhados por aquele a quem estou dando vida, vivencio momentos de pleno conhecimento e crescimento individual. O segundo a nível racional. Entendo a Arte e o teatro como um catalizador e irradiador de caminhos e práticas. Acredito que o espectador pode, a partir da exposição e compreensão do que está mostrado no espaço cênico, crescer individual e coletivamente, perceber dificuldades, facilidades e possibilidades e, a partir daí, optar por caminhos de vida, buscando o crescimento interior. Acredito que a exposição à Arte mexe e toca o sensível de cada indivíduo e esse sensível pode ser levado para toda a vida. Se conseguirmos pessoas mais sensíveis, conseguiremos sociedades mais sensíveis, harmônicas e acolhedoras.

NC: Qual a dificuldade que existe para se colocar uma peça em cartaz?
MM: Existem dificuldades de toda ordem. A começar pelos custos. Em alguns momentos, quando se pensa em um espetáculo, o que nos vem à cabeça são os custos com atores. Contudo essa é apenas uma parte da questão. Para que uma peça seja encenada são envolvidos, naturalmente com os respectivos custos, os mais diversos profissionais, de diferentes áreas. Desde o autor, o diretor, o sonoplasta, o carpinteiro que faz os cenários, a costureira que vai fazer os figurinos, até a camareira e o cenotécnico. E não para por aí. Existe também o custo do teatro (espaço cênico), da divulgação e da manutenção do próprio espaço. Existe também um outro fator, em alguns casos determinante: O tempo de ensaios necessários para que uma montagem chegue ao palco. Mesmo quando se consegue contornar algumas dessas dificuldades, surgem as questões inerentes ao próprio trabalho, como os ensaios, a construção dos personagens, a adequação de todos os elementos para contar uma única história e, especialmente, com uma única linguagem. Acredito que toda peça levada à cena é uma grande vitória.

 emarcopornancy1 - O Salvador da Pátria, como Ciro, 1989, 2 - O Sorriso do Lagarto, como Pacheco, 1991,
3 - Mulheres de Areia, como Duarte, 1993, 4 - Bravo Renildo - PSI (Web série - 2017)

 

NC: A não ser o aplauso do público, que é o maior prêmio, o que mais marcou sua vida de Ator?
MM: Felizmente tive alguns momentos muito especiais em minha vida profissional. Com alguns atores e atrizes com quem tive o prazer e o privilégio de trabalhar, aprendi muito. E faço questão de ser, na vida, um eterno aprendiz. Houve, contudo, um momento muito especial. Ainda na época da Escola de Teatro, minha turma teve de fazer um trabalho para ser apresentado em sala de aula. Um pequeno grupo de alunos, eu inclusive, se juntou e construiu uma peça que foi um marco em nossas vidas. O título da mesma era “ABOIO”. O trabalho foi de tal forma revolucionário e inovador, para a época, que fomos convidados para participar de um Festival de Teatro que havia na França. Era o Festival de Teatro de Nancy. Não viajamos, pois não havia verba na Escola para mandar um grupo de alunos para o exterior. A sensação de me sentir inserido em um momento cultural tão importante e também de perceber a minha própria capacidade criadora, foi de plenitude. Foi um momento ímpar.


NC: Atuando você consegue vestir e sentir completamente o peso do personagem?
MM: Sim. Vou utilizar o mesmo verbo da sua pergunta: Vestir. A partir da minha percepção interna acerca do personagem, da compreensão e criação do mesmo, consigo vesti-lo, como uma roupa. Dele sinto o peso, a textura, posso perceber as cores, nuances e tons e ir além, internalizando todas as emoções. Ao final do espetáculo, com o figurino, deixo o personagem no teatro. Não levo para casa.

 

emarcopornancy5Bravo Renildo - PSI, Web série - 2017 (A estrear) e nas filmagens, dirigindo "Rio e Seus Mistérios"

 

NC: A energia  fica pesada quando o personagem faz maldades?
MM: Sim, pois quando estou estudando um personagem com ações cruéis ou caráter maldoso ou nefasto, a leitura e a compreensão de tais ações conduzem a percepção de que existem pessoas capazes de perpetrar as barbaridades que estou lendo naquele momento. Certa vez li um texto que falava sobre alguns genocídios e barbaridades que já aconteceram pelo mundo ao longo do tempo. O texto concluía dizendo que tudo aquilo descrito foi feito por pessoas. Não havia sido feito por marcianos ou venusianos e sim pessoas, ditas humanas, iguais a todos. Então quando estou estudando um personagem com essas características, a energia fica pesada. Quando, contudo, eu enceno o personagem com essas características, o alento é que estamos mostrando determinada situação objetivando que ela seja discutida pela sociedade.

 

emarcopornancy3BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO 2016
Lançamentos de seu livro "Gotas de chuva no vidro da janela"

 

NC: Qual o personagem que você mais se identificou na sua carreia ?
MM: Eu me identifico com todos os que interpreto. O primeiro impulso é o que me leva a querer fazer determinado personagem que me é apresentado, seja ele quem for. Assim preciso ter uma empatia com ele. É o que me move. Os comportamentos, posições e ideologias que cada um tem, podem ser completamente diferentes das minhas. Normalmente esses são os personagens mais desafiadores e difíceis de serem feitos, exatamente por serem tão distantes.

NC: Você já fez Cinema e TV, fale um pouco mais para a gente e fale também do seu trabalho atual.
MM: Já fiz televisão, cinema e teatro. E continuo fazendo. Após o carnaval vai estrear uma web série chamada “BRAVO RENILDO - PSI”, criação de Ronaldo German. Foi um trabalho muito bom de fazer e o resultado ficou ótimo. Fiz também uma série que deve estrear em meados de 2017, chamada “O bom samaritano”. Estou dirigindo um filme de longa metragem chamado “Rio e seus mistérios”, com roteiro de Rayssa Castro, com estreia prevista inicialmente para julho de 2017. Também dirigi duas peças que estão em cartaz no Teatro Princesa Isabel. São elas: “Em nome do filho”, de Dolores DelRio e “4 na kitchinette”, de Augusto Pessoa. É um momento muito especial para minha vida já que duas peças dirigidas por mim estão em cartaz na cidade. Também tive a possibilidade de lançar mais dois livros. Um chamado “O brilho do escorpião”, pela Editora Biblioteca 24 Horas, e o outro chamado “Gotas de chuva no vidro da janela”, pela Editora APMC. Brevemente começarei os trabalhos na peça “Entre nós”, de Davi Martins, que contará com as atuações de Valdo Boaventura e Lica Oliveira, também estão nos planos a filmagem do curta “Deu bode”, com roteiro de Gerson Rodrigues. 2017 promete.

 

emarcopornancy6A foto da primeira vez que o vi, na estreia de sua peça "Em Nome do Filho"
(Foto: GSVIP)

 

NC: O que é ser Amigo?
MM: É poder falar com toda a sinceridade e, também, ouvir com o peito aberto e ouvidos atentos. É poder estar longe sabendo que está perto e, mesmo estando afastado, saber que o reencontro será sempre gratificante.

Muito obrigada por sua participação, querido! Aos leitores, muitas entrevistas irão acontecer toda semana para que todos possamos conhecer melhor os nosso ídolos de TV, Teatro e Cinema. Enfim, da cultura em geral. Curtam, comentem e compartilhem. Beijos no coração de todos!

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