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Nancy Cobo

'Memorial de Amor Inquieto', peça dirigida por Julio, estreia dia 25, na Casa de Espanha.

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Divulgação

 

Sempre quando entro num projeto costumo ter a visão de uma criança, pois a crianças não tem um olhar preconceituoso.Julio Luz


O nosso entrevistado é o ator, diretor Julio Luz. Falar do talento do grande ser humano que é Julio Luz é usar todos os adjetivos bons e palavras carinhosos e eu não conseguirei definir este ser de luz que, hoje, nos mostra mais um pouco do que faz pela Cultura. Leiam e vejam que maravilha de ser humano é Julio Luz.

Nancy Cobo: Fale um pouco sobre a sua formação profissional, você se formou em quê?
Julio Luz: Comecei a minha formação na Cal – Casa de Artes de Laranjeiras, mas não conclui o curso. Depois de muitos anos, ingressei na Graduação de Licenciatura – Teatro e conclui a faculdade em 2 anos e meio na Universidade Estácio de Sá e este ano, 2017, conclui minha especialização em Metodologia do Ensino das Artes pela Uninter, mas acredito mesmo que entrar na graduação aos 34 anos foi a melhor opção, você entra com maturidade e consegue entender todo o processo de aprendizagem e foi fantástico, não me arrependo de ter entrado tarde. Mas como sempre gostei de ler, comecei a dar aula cedo com 22 anos na Escola de Formação de Atores Le Monde. A sala de aula é a melhor forma de aprender, sempre gostei de trocar as informações com meus alunos.

ientnancy3DivulgaçãoNC: Como e quando se tornou ator?
JL: O meu pai (José Carlos) tem uma amiga (Eleonora Villela), que é psicóloga e ela foi a minha primeira incentivadora com as artes, sempre me levando a exposições, operas, concertos e espetáculo. Foi ai que comecei a gostar da arte. Lembro como hoje, cursava o 2º Grau, hoje ensino médio, na Escola Estadual Amaro Cavalcanti, que fica no Largo Machado, que tive a primeira atuação. Sugeri a minha professora de literatura, que hoje não me lembro mais o nome, de adaptarmos as obras do Luiz Fernando Veríssimo para o teatro. E ela comprou a minha ideia e realizamos uma semana de esquetes, foi nesse momento que atuei, como ator, produtor e diretor, tinha apenas 16 anos.

NC: O que significa atuar para você?
JL: É o ar que respiro, não somente atuar, estar no palco, gosto de tudo que está ligado à arte. Pois, nós artistas, temos um olhar de um poeta, um olhar que as pessoas “comuns” não têm, um outro ponto de vista. Eu sempre costumo dizer isso nos meus encontros, seja em sala de aula, em sala de ensaio. Falo sempre do poema de Otto Lara Rezende – Vista Cansada. “Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. (...) Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. (...)". Sempre quando entro num projeto costumo ter a visão de uma criança, pois a crianças não tem um olhar preconceituoso. E crianças só tem prazer, por isso falo que tudo me dá prazer.

NC: Qual a dificuldade que existe para se colocar uma peça no ar?
JL: O país está em crise. Acredito que seja um ano morno para os patrocínios e consequentemente para as produções. Como cultura e educação não são prioridades para os nossos governantes, então ficaremos aguardando um novo rumo. Temos de driblar essa crise.

NC: A não ser o aplauso do público, que é o maior prêmio, o que mais marcou sua vida de Ator?
JL: O que mais marcou a minha vida artística, são os amigos que construí ao longo desses anos. Isso não tem preço. Levamos para a vida toda.

NC: Atuando, você consegue vestir e sentir completamente o peso do personagem?
JL: Pergunta difícil essa (risos). O que seria vestir? O que seria esse peso? Não sei responder de imediato. O que vejo e sinto são os brilhos dos olhos. Quando estou me preparando para entrar em cena, no segundo sinal entro no camarim novamente e olho diante de espelho e vejo esse brilho. Tem que ter esse brilho diferente, que não é o brilho do olhar do Júlio e sim da personagem. Ai sim, posso responder essa pergunta.

NC: A energia fica pesada quando o personagem faz maldades?
JL: Atuar é técnica. Não tem como ficar com energia pesada. Tem que tomar cuidado. Existem várias correntes sobre esse assunto. Lembro uma vez conversando com Fernanda Montenegro após um espetáculo que ela fazia que era muito denso e ela após o espetáculo, sorrindo, conversando no camarim com as pessoas, naturalmente como se ela não tivesse feito aquele esforço emocional.

NC: Qual o personagem que você mais se identificou na sua carreira?
JL: Fiz a Nicinha Rondelle no espetáculo As Irmãs Diabólicas, escrito por mim e pelo ator Milton Correa e Casto, já falecido, onde interpretávamos algumas das cantoras do rádio. Espetáculo lindo e divertido. Amava fazer. Tinha um prazer enorme, pois dividir a cena com o Milton era um aprendizado, pois ele foi meu primeiro diretor profissional em A Bruxinha que era Boa, com a produção de João Luiz Azevedo. Tinha uma mistura de respeito, carinho e cumplicidade. Fizemos por três anos esse espetáculo. O público se emociona a cada apresentação. Que saudade... Saudade do espetáculo e do meu querido amigo, que nos deixou tão cedo.

NC: Você já fez Cinema, TV?
JL: Não tenho essa pretensão, mas se pintar um convite bacana, claro que faço. Já fiz uma participação no programa Zorra Total. E falo que a arte da TV e do Cinema é a arte da espera. Você espera a luz ficar pronta, o cenário e você fica ali no seu cantinho aguardando todo o aparato ficar funcionando para você gravar, lembro uma vez que cheguei para gravar as 14h e só entrei no estúdio as 19h10, (risos). Toma café, fuma seu cigarro, passa e repassa o texto, ensaia com seu colega da cena e você fica ali aguardando. A arte da espera.

 

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NC: Fale sobre trabalho atual ou projeto.
JL: 2017 será um ano muito movimentado, graça a Deus. Tenho um curso livre no Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, com público alvo para Criança e Adulto, começo em Março um curso livre para criança e adulto na Casa da Espanha, dou aula no Curso de Atuação Aguinaldo Silva, que acontece no Theatro Net Rio, leciona as disciplinas de História do Teatro Mundial e Brasileiro na Cia de Teatro Contemporâneo. Dirigirei quatro espetáculos no primeiro semestre  “Memorial de Amor Inquieto”, com estreia para 25 de Março, na Casa da Espanha; em 06 de Maio estreio o espetáculo “Mar de Lama”, na Cia de Teatro Contemporâneo, no Espaço Cultural Correia Lima o espetáculo “Navio Negreiro” em 03 de junho e o infantil “Cururu”, com estreia prevista para Julho na Casa da Espanha. Não posso reclamar. Só tenho a agradecer.

Muito obrigada por sua participação. Muitas entrevistas irão acontecer toda semana para que todos possam conhecer melhor o entrevistado.

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