Em uma celebração cheia de amizade, o primeiro lugar ficou com Ivanildo Tristão e Rosângela Goldoni.

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Foto: Leda Lúcia

 

Aconteceu no último sábado (22), no Sarau do Pura Poesia, a revelação do resultado do 3º Concurso de Poesias da AVPLP.

Apresentado pelo Mestre Manoel Vírgilo, a sessão regada a comes e bebes no Restaurante Marquês Gourmet, no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi cheia de emoção, amizade e reconhecimento no campo literário.

 

jpurapoesia2Foto: Leda Lúcia



Este é o terceiro ano do concurso de Poesias da AVPLP. O primeiro foi em 2014. Já o 'Pura Poesia' foi fundado por Mestre Manoel Vírgilio. em 19/10/2013, com 37 saraus já realizados.
Todos os meses há o Sarau do 'Pura Poesia', onde várias celebridades da literatura se reunem para declamarem poesia entre amigos, e neste último encontro, o 'Pura Poesia' premiou as melhores poesias, confira os vencedores abaixo:

O Resultado do 3º Concurso de Poesias da AVPLP foi o seguinte:
1º lugar: 'O Ventre Negro', de Ivanildo Tristão, com 3 votos.
               'Naquela Madrugada de Outono', de Rosângela Goldoni, com 3 votos.

2º Lugar: 'Que Bom', de Abílio Fernandes' com 2 votos.
                'Inverno Quente', de Angela Chagas, com 2 votos.

Prêmio Especial por ser a mais votada em todas suas Poesias: Mariza Sorriso, com 3 poesias votadas.
Prêmio Pessoal 'Melhor votada das Seções Nacionais' com a poesia O Beijo ´Valodia Andrade.

Menções Honrosas: Angelina da Conceição e Antonio Gutman com 2 poesias votadas.

 

jpurapoesia3Foto: Leda Lúcia

 


Abaixo, as duas poesias vencedoras em primeiro lugar:

'Naquela Madrugada de Outono'

Perderam-se pelas madrugada vadias.
Ruas e avenidas pareciam-lhes sem sentido ou direção.
Perambulavam entre os amantes plenos de convívio
- fartavam-se de indiscrição -.
Esparramada sobre aquela noite de outono,
a névoa confidente beirava o encantamento.
Em breve, o seu dissipar revelaria a claridade do dia.
Suas desconexões com a realidade seriam evidenciadas.
Tarde para recuar!
Versos e rimas revelariam sua fome de poesia naquela manhã.
Ensolarados,
o poema deu-se à vida
àqueles que acordavam do sono consentido
em busca da esperança prometida.
Quem sabe um mar de rosas os esperava...

 

jpurapoesia4Foto: Maria Esmeralda

 


'O Ventre Negro'

Vocês deveriam saber bem mais,
que não sou propriedade alheia,
não sou objeto nem mercadoria.
O gestamento no ventre negro
não me fez domesticado de nascimento
nem troço qualquer adquirido por miseras moedas,
cunhadas na infâmia humana de outrora.
Minha pele encharcada de melanina,
revela a africanidade oculta em minha alma
impedindo a cultura negra d’além mar
de sucumbir no esquecimento.
A venerada divindade herdada,
desagregou-se no vento da insensatez,
dissolvendo-se na religião alheia
os rituais animistas do meu viver.
Nas florestas do continente negro
desenvolvi minha alma isenta de cativeiro,
desprovida de julgamento arbitrário
com aptidão de individuo livre.
No coração verde da mata estridente
meus passos caminhavam a todo toque,
em todas direções, a todos recantos,
em companhia dos ancestrais.
A cobiça chegou em navios de longe,
ávida de lucros humanos
negociados em terrenos distantes,
no incógnito mundo de dor.
Os corpos combalidos emolduravam
pensamentos nobres de revolução,
conquanto as armas espirituais
dos antepassados elegia a paz de corpos.
Revidei à incompreensão racial,
com a revolta dos quilombolas sedentos de liberdade,
agasalhando o corpo exaurido
no compasso musical da esperança.

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