A noite de autógrafos foi em Ipanema/RJ e o autor deu autógrafos por mais de quatro horas seguidas.

ruycastrolanca

De: Luiz Carlos Lourenço, Fotos de Daniel Marques.

 

     A noite dessa Terça-feira registrou um dos maiores lançamentos literários do ano, numa agradável reunião de personalidades e admiradores do jornalista e escritor Ruy Castro, que, por mais de quatro horas, autografou cerca de trezentos exemplares do livro A Noite do Meu Bem - A História e as Histórias do Samba Canção, na Livraria da Travessa de Ipanema.

     Cidadão benemérito do Rio, ele já publicou títulos de reconstituição histórica sobre a bossa nova, Ipanema e o Flamengo e depois de reconstituir o mundo da bossa nova no já clássico "Chega de saudade", Ruy Castro se debruça na noite carioca para investigar o samba suavizado pela canção, que surgiu com a proibição dos jogos de azar, em 1946.

 

Com Lourdes Catão que está na capa do livro, fotografada há 68 anos

 

     A publicação constitui-se no primeiro grande livro de reconstituição histórica de Ruy em dez anos: o último foi “Carmen”, a biografia de Carmen Miranda, publicado em 2005. “A noite do meu bem” levou cerca de três anos para ser feito (apurado e escrito) e é, não tenha dúvida, um dos melhores — se não o melhor — livro de Ruy. É uma impressionante massa de informações, costurada de forma magistral, tecendo um panorama da noite do Rio entre 1946 e 1965. Mas não só da noite, das boates, dos cantores, músicos, compositores, mas também de tudo o que compunha o cenário social do Brasil daquela época — incluindo política, dinheiro, intrigas, poder. O livro tem cerca de 500 páginas e, como sempre acontece com os livros de Ruy, é preciso ser lido em feriados longos: porque, quando se começa, não se pode mais largar.  A segunda noite de autógrafos do livro já está marcado para São Paulo, na próxima Segunda-feira, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Av. Paulista.

 

 Com Jaguar


      Desde as 19h, minutos antes do autor chegar à livraria, dezenas de notáveis já aguardavam a chegada do autor:  do meio musical, lá estavam as cantoras Doris Monteiro, Luciene Franco, Ellen de Lima, Leny Andrade, Hanna, o músico e compositor João Roberto Kelly, Francis Hime, Aldir Blanc e a mulher Mary, Carlinhos Lyra com Magda Botafogo, Zé Renato, Ricardo Haubrack. Moacir Luz, Armando Pitigliani, Marcos Sacramento e o escritor e pesquisador da MPB, Rodrigo Faour. Da área jornalistica, destacavam-se Evandro Teixeira, Nelson Motta, João Luiz Albuquerque, Fuad Atala, Erno Schneider, João Máximo, Belisa Ribeiro, Jaguar, Barcímio Amaral, Luiz Carlos de Souza, Christovam Chevalier, Paulo Garcez, Berthold de Castro.

 

Com João Roberto Kelly


     Durante a noite de autógrafos, Ruy Castro encaminhou um livro ao diretor presidente da LBV, jornalista, escritor e radialista José de Paiva Netto, com a seguinte dedicatória "Caro Paiva Netto - Obrigado pelo apoio de sempre! Abraços do Ruy Castro" e o entregou a um dos assessores de imprensa da Legião da Boa Vontade, jornalista Luiz Carlos Lourenço.

     Para se ter a ideia da capacidade de Ruy Castro reunir centenas de amigos destaca-se o fato de que duas personalidades, o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony e o cantor e compositor Tito Madi, mesmo com dificuldades para andar, foram em cadeiras de rodas abraçar o escritor, adquirindo vários livros para outros amigos.

 

Ruy Castro, Fuad Atála, Berthold de Castro e Erno Scheider


     Outro momento emocionante da noite foi a chegada da mais famosa socialite brasileira, Lourdes Catão, coberta de jóias, e que ilustra a capa do livro do Ruy, em foto clicada por  Kurt klagsbrunnm há 68 anos, numa noite de 1947 da Boate Vogue, junto com outros colunáveis da época.


Reconhecimento

 

     "Um trabalho mais difícil do que montar um grande quebra-cabeça". Assim, Ruy Castro, jornalista e escritor premiado, define o processo de criação de seu mais novo livro, "A Noite do Meu Bem", editado pela Companhia das Letras.

      Consagrado  como jornalista e escritor de biografias, como as de Garrincha (Estrela Solitária), Nelson Rodrigues (O Anjo Pornográfico) e Carmen Miranda (Carmen), além da reconstituição histórica da época da Bossa Nova (Chega de Saudade), entre muitas outras criações literárias e jornalísticas, Ruy se volta neste livro para o universo do samba-canção em "A Noite do Meu Bem". O livro cobre o período entre 1946 e 1965, apresentando os grandes personagens e trilha sonora das boates cariocas da época.

 

Evandro Teixeira que lançou também seu livro a pouco tempo ' Evandro Teixeira, 50 anos de fotojornalismo'


     A obra se refere à música "A Noite do Meu Bem", de Dolores Duran. Outros compositores da época são Herivelto Martins, Dorival Caymmi, Lupicínio Rodrigues, Tom Jobim, entre muitos outros, em uma época, os anos 50, em que as boates no Rio fechavam às 10 horas da manhã.

     Em 1990, Ruy Castro – um dos consultores da curadoria da nova sede do MIS, que está sendo construída em Copacabana –  contou a história da bossa nova em Chega de Saudade. Agora em 2015, ele mergulha novamente na música e especialmente no clima das boates cariocas dos anos 1940, 1950 e 1960, redutos do glamur e do poder .

 

Com Zé Renato

 

     Ruy Castro também deixou gravada , em 2010, sua própria biografia,  quando participou da série Depoimentos Para a Posteridade. Na época, foi sabatinado pelos jornalistas João Máximo e Álvaro da Costa e Silva, pela historiadora Isabel Lustosa,  e por Muniz Sodré, na época diretor da Biblioteca Nacional.

 

Com Armando Pitigliani


     O livro de Ruy Castro lembra que, até 1946, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu os jogos de azar no Brasil, a noite carioca girava em torno dos grandes cassinos: o da Urca, o do Copacabana Palace, o Atlântico, ou mesmo, subindo a serra, o Quitandinha, em Petrópolis. Eram verdadeiros impérios da boemia, onde a roleta e o pano verde serviam de pretexto para espetáculos luxuosos, atrações internacionais e muito champanhe.

 

Com a mulher Heloísa Seixas, filha e amigas


     A canetada presidencial gerou uma legião de desempregados - músicos, cantores, dançarinas, coristas, barmen, crupiês - e um contingente ainda maior de notívagos carentes. Os cassinos fecharam para sempre, mas os indestrutíveis profissionais da noite, sem falar nos boêmios de plantão, logo encontraram um novo habitat: as boates de Copacabana.

     Eram casas em tudo diversas dos cassinos. Em vez das apresentações grandiosas, dos espaçosos salões de baile e das orquestras em formação completa - que estimulavam uma noite ruidosa -, as boates, com seus pianos e candelabros, favoreciam a penumbra e a conversa a dois.

 

Ellen de Lima com o autor e sua mulher a também escritora Heloísa Seixas


     Isso não quer dizer que tenham deixado de ser o centro da vida social. Ao contrário, não havia lugar melhor para saber, em primeira mão, da queda de um ministro, de um choque na cotação do café ou de um escândalo financeiro do que nas principais boates, como o mítico Vogue, frequentado por exuberantes luminares da República e por grã-finos discretos e atentos.

 

Com o jornalista e colunista, Christovam Chevalier


      Mas a noite era outra: assim como a ambiance, a música baixou de tom. Os instrumentistas e cantores voltaram aos palcos em formações menores, andamento médio e volume baixo, quase um sussurro. Tomava corpo um novo gênero, um samba suavizado pela canção, que encontrou nas boates o lugar ideal para se desenvolver plenamente.

      Essa nova música, com seus compositores, letristas e cantores; as boates, com seus criadores, funcionários e frequentadores, e o excitante contexto social e histórico que fez tudo isso possível são o tema deste novo livro de Ruy Castro, que mais uma vez nos delicia com sua prosa arrebatadora. O autor acredita que este seja seu último livro neste formato. "Não sei se terei forças para fazer um outro desses nos próximos tempos." Entre pesquisas, entrevistas e texto, foram três anos. "Mas muitas histórias dessas eu já tinha comigo."

 

Com o jornalista e blogueiro Luiz Carlos Lourenço

 

Com Belisa Ribeiro

 
Com a cantora Hanna


Com Marcos Sacramento

 

Com Moacir Luz

 

Com o jornalista e crítico musical João Maximo


 Com o musico e compositor Francis Hime

 
Com a mulher e Marcelo Deo Cima

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