A Diva conta um pouco sobre sua vida e carreira.

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Foto: Daniel Marques

 

"Decidi sair dos holofotes para me dedicar à família, que é minha realização maior",Adele Fátima

 

Seu nome de batismo é ADELE FÁTIMA HAHLBOM, de origem alemã por parte de pai e legitimamente carioca por parte de mãe, mas como artista é conhecida como ADELE FÁTIMA, a única Bond Girl brasileira e que também se consagrou no mundo do carnaval como a primeira rainha de bateria da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

Saindo às ruas sempre ao lado do maridão, Marcelo, com quem está casada há 38 anos, a mais famosa mulata dos shows de Oswaldo Sargentelli, da casa noturna Oba Oba, posou nessa terça-feira (7) para um ensaio de fotos com o amigo DANIEL MARQUES, enquanto cuidava dos cabelos, unhas e recebia discreta maquilagem nos salões do Werner Coiffeur, no Arpoador, na fronteira dos bairros de Ipanema e Copacabana.

 

Foto: Daniel Marques

 

Sem preocupações em aparecer nos palcos ou na passarela do samba, ADELE prefere assistir o carnaval nos dias de desfile em camarotes de amigos e no baile de sábado no Hotel Belmond Copacabana Palace, no qual é figura marcante nos últimos 15 anos.

"Ainda conservo o meu sangue quente de uma grande sambista, adoro carnaval, mas fico na minha, como observadora, como convém a uma senhora casada. Recebo inúmeros convites para aparecer como destaque em várias escolas, mas prefiro deixar esta oportunidade para as faixas um pouco mais jovens. mas não renego as coisas boas que o carnaval me proporcionou ao longo da minha carreira",diz.

 

Foto: Daniel Marques

 

Nascida numa pacata rua do bairro da Urca, onde se criou, ADELE derruba qualquer estereótipo de mulata dos dias de hoje que necessitam de um abdômen mutante, gelatinas nos inferiores, cargas de silicone no busto e que fazem até curso preparatório de como se equilibrar nas plataformas de salto. Descoberta no fim dos anos 70 pelo magnata Rubens Gomes da Costa, dono do império das sardinhas enlatadas, Adele foi convidada pessoalmente pelo empresário para estrelar o comercial das Sardinhas 88, o que se pode dizer que foi a sua grande estreia no seu passaporte de artista com destino ao mundo.

 

Foto: Daniel Marques

 

Magnética, assim o cantor e compositor Jorge Ben definiu na música que compôs para ela em 1980, "Adelita", como uma forma de juramento ou gratidão por dividir o mesmo planeta que a mesma bela brasileira.

Com 18 filmes e duas minisséries em sua carreira, Adele se transformou na musa do cinema nacional nos meados dos anos 70 e início dos anos 80, seu primeiro filme foi em 1975, "Com as calças na mão", dirigido por Carlo Mossy e estrelado por Jorge Dória, Wilza Carla, Lady Francisco, Tião Macalé entre outros.

 

Foto: Daniel Marques

 

Em 1979 protagonizou a pornochanchada, "Histórias que nossas babás não contavam " de Oswaldo Oliveira, que satirizava o conto clássico da Branca de neve. Adele como Clara das Neves dividia as cenas com 6 anões com o libido de estatura estratosférica e o inigualável Costinha como caçador. O filme é bastante divertido e é possível delirar com takes de Adele como veio ao mundo.

 

Com James Bond

Ainda em 79, na supra da beleza, foi que sua carreira teria tudo para decolar com pretensões internacionais, ou quase. Chamada para filmar ao lado de Roger Moore, 007 contra o foguete da morte, que contém cenas gravadas no Rio de Janeiro, Adele entraria para história como a primeira "bond girl" brasileira, mas como em todo meio artístico, se existe beleza há rumores.

Com toda aquela badalação de estrelas hollywoodianas em cenário carioca entre uma divulgação e outra do filme seria o suficiente para novas versões de que a estrela principal Roger Moore estivesse de caso amoroso com nossa musa afro, em um dos boatos eles estariam até de viagem marcada assim que acabassem as filmagens.

 

Foto: Daniel Marques

 

Com exceção das fofocas criadas pela imprensa carioca nada disso ocorreu, mas na cabeça de muitos, bem que o espião gostaria que tivesse acontecido mesmo 007 sendo casado, fato este que foi primordial na saída de Adele da rodagem do filme, já que a esposa de Moore evidentemente não gostou nada da história e exigiu da direção que a beldade saísse do longa A esposa do agente mais competente do mundo exigiu que ela fosse substituída pela bela Emily Bolton, mas ainda é possível observar seu nome nos créditos finais e em alguns cartazes do filme, o que a faz ser a primeira "bond girl" brasileira da história.

 

Foto: Daniel Marques

 

Outro fato marcante da carreira de nossa entrevistada é o de que quando criou a Marquês de Sapucaí, em 1984, o genial arquiteto Oscar Niemeyer se inspirou no gingado dos quadris das mulatas e a dona das curvas que encantaram o arquiteto é Adele Fátima. Agora, mais sossegada, em casa com o marido, suas plantas e seus cachorros, ela conserva sua beleza mesmo com o passar dos anos.  "Ser símbolo sexual atrapalhou minha vida. Prefiro a tranquilidade que estou vivendo agora. É claro que estudo todas as propostas que recebo, e quando ela é significativa, lá estou eu gravando".

 

Foto: Daniel Marques

 

Morando numa bela casa no Recreio dos Bandeirantes, ela prepara-se para viajar por quarenta dias com o marido por várias cidades da Europa, mas revela que sua carreira profissional foi marcada por muitos sacrifícios, com direito a todo tipo de preconceito, inclusive por ser negra. "Eu não sou só a 88, eu sou Adele. Juntavam uma coisa com a outra. Eu não conseguia andar nas ruas, achavam que eu não era real. Mas também acabou me aproximando do público, me fez uma pessoa bem mais popular do que já era. O comercial ajudou a chamar atenção para tudo. Não me arrependo de nada", avalia. Ela diz que, como uma mulher dedicada à família, viveu seus melhores momentos. "Do meu casamento, nasceram os filhos Diogo e Bárbara – que, aos 18, morreu de câncer".

 

Foto: Daniel Marques

 

"Mas posso dizer que vivi muito bem, representando o Rio de Janeiro e o Brasil em várias partes do mundo, com shows, cinema, café com leite e aguardente no Japão, bronzeador na Itália, capa de revistas nos países nórdicos e fazendo fotos para a Playboy alemã. Fui considerada patrimônio nacional".

 

Adele entrou para a história do carnaval como
a primeira rainha de bateria da Mocidade
(Foto: Arquivo pessoal de Adele)

 

"Decidi sair dos holofotes para me dedicar à família, que é minha realização maior", conta.

Sobre Adele, o jornalista, colunista e escritor Joaquim Ferreira dos Santos, que a conhece há muito tempo, é só elogios "Adele é de um tempo em que não havia mulheres negras nas capas de revistas de beleza. Ela veio logo depois da Aizita Nascimento, da Vera Manhães (mãe de Camila Pitanga) e pouquíssimas outras. Naquela época, mulheres para terem a chancela de ícones da perfeição plástica precisavam estar cobertas de uma quase camada de leite, uma peruca loura e, se possível, olhos verdes. Vera Fischer era assim, as vedetes do teatro de revista também e todas as que ocupavam as capas da Manchete, Fatos e Fotos, O Cruzeiro e também da descolada revista SR. As negras só podiam ser associadas à sensualidade, à alcova, mas não ao padrão social consagrado de beleza. Toda esta mulherada de coloração incrível, do mais suave moreno ao mais exacerbado negro, deve muito à Adele".

 

Capa da Fatos & Fotos com Roger Moore - 007
(Foto:Arquivo pessoal de Adele)

 

A bela mulata se orgulha de não possuir silicone e nunca ter feito intervenções cirúrgicas. Diz que nunca gostou de ginástica, mas sempre cuidou da alimentação. Ambientalista, Adele diz que tem projeto de conscientização ambiental aprovado pelo Ministério da Cultura.

"Eu caminho e cuido muito da minha alimentação, comendo legumes, frutas. Ainda não mexi no meu rosto, porque não vi necessidade. Hoje eu peso 70 kg e não tenho mais aquela medida de quando pesava 54 kg. Não quero ser boneca, agora sou uma senhora e estou me amando cada vez mais", diz.

Outro expert no assunto da área do samba, o musicólogo, pesquisador, diretor, jornalista e apresentador Ricardo Cravo Albin, criador do primeiro Museu da Imagem e do Som, no Rio, ressalta que Adele é uma figura mitológica: "O tempo não passa para esta linda brasileira, cada vez que a vejo está cada vez mais exuberante, seu sorriso de criança é o seu cartão de visita. Aprecio muito a sua trajetória e tenho o maior orgulho de fazer parte do seu círculo de amigos", confessa.

 

Com o carnavalesco, designer e decorador Mario Borriello
(Foto: Arquivo pessoal de Adele)

 

Nivalda Aguiar, atualmente diretora da Bolsa de Cultura, que trabalhou com Adele Fátima no Scala e no Asa Branca, também se referiu às qualidades da amiga: "Acima de tudo, é uma pessoa simples, amiga dos amigos e que sabe preservar suas amizades. Nunca foi mascarada, mesmo nos seus maiores tempos de glória. A Adele esteve ao meu lado dos meus 25 aos 33 anos e sempre esteve me prestigiando e abrilhantando as festas surpresas das grandes casas do Centro e da parte que ela organizava. Sempre foi uma grande anfitriã, uma mãe amantíssima e sempre soube ser grata com todos os fãs".

 

 

No início dos anos 70, Adele também ostentou o título de Certinha do Lalau, honraria que era dada por Sérgio Porto às belas mulheres brasileiras do meio artístico.

Outro especialista em mulatas brasileiras, o ator, diretor, produtor e coordenador de escolas de samba Haroldo Costa assim define Adele:

 

Com o marido Marcelo no Baile de carnaval do Copacabana Palace (Foto:Arquivo pessoal de Adele)

 

"ADELE FÁTIMA foi por muito tempo a mulher símbolo do Brasil. Desejada, admirada e, sobretudo, respeitada pela sua trajetória profissional e humana. Seus trabalhos no cinema e na televisão demonstravam o seu talento, sempre emoldurado por sua bela figura e com um sorriso inesquecível".

Agradecimentos
Werner Arpoador
Endereço: R. Francisco Otaviano, 42
Copacabana, Rio de Janeiro - RJ, 22080-040
Telefone: (21) 2521-5050
Horário: 9h-21h
Direção: KATIA QUINTELA
Gerência: Tatiana Moraes
Escova: Flavio
Make up: Carson
Manicure: Jamile
Depilação: Natália

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